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Esses focas e suas pequenas alegrias
A cena: eu descendo as escadas da estação do trem com uma bolsa e um tripé.
Pivete 1: Lá, lá... Pivete 2 (o mais rápido): Tia, tia, tem uma moeda? Eu: Pior que não. Pivete 1 para o pivete 3 (que só ficou olhando): Hi, olha lá, a tia é repórter...
Devia ter uns 7 anos. Merecia todas as moedas que eu não tinha.
Escrito por Cy às 03h09
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Eu e as lixas
Eu nunca fui numa manicure. Nunca. Não é que eu nunca tenha feito as unhas, nada disso, mas faço eu mesma, em casa. Não sou cheia das frescuras nem tenho vocação pra andar com longas garras vermelhas, então cortar, lixar, tirar cutícula e de vez em quando passar uma base clarinha nunca foi problema. Não sou desleixada nem nada, mas também não sou cheia das frescuras, então me garanto.
Quando eu era adolescente, via minhas colegas da escola com unhas enormes e coloridas e ficava até meio frustrada, porque elas já iam com as mães no salões fazer símbolos japoneses nas unhas enquanto eu ainda roía as minhas... Mas isso durou bem pouco. Logo eu percebi que nunca ia ter paciência pra ir até um salão de beleza e ficar uma hora sentada com as mãos esticadas pra outra pessoa ficar mexendo. E, admito, nem coragem pra ver outra pessoa mexer nas minhas cutículas, ora essa. Sai pra lá com esse baita alicate.
Mas desde o início, quando comecei a me preocupar com essas coisas, nunca me dei bem com as lixas. Poucas coisas são mais desagradáveis que uma lixa de unhas. E por isso eu fico bem feliz quando posso usar uma lixa velha. É pavoroso emparelhar as unhas com uma lixa nova, grossa, que dá arrepios só de pegar na mão... ui. Raras vezes me vi numa emergência tão grande a ponto de precisar correr numa farmácia e comprar uma nova pra usar em seguida. Já fiz a maluquice de dar a lixa pra minha mãe usar a primeira vez, até ficar um pouco menos áspera, pra daí sim eu usar. Sabe aquela tática de alguém amaciar o tênis pra ti? Então, quase igual.
Contei isso pra Mary, uma amiga minha, e a guria teve um ataque de riso que durou umas 3 estações de trem e chamou atenção de meio vagão. Não entendi direito, ela ficou meio em choque. Mas é sério, sofro muito quando tenho que usar uma lixa nova. E estou falando do lado fino da lixa, claro. O lado mais grosso permanece intacto quando eu jogo as lixas muito velhas fora. E, inacreditavelmente, conheço mulheres que usam o lado grosso da lixa. Minha nossa. Tenho um ataque só de pensar.
Bom, levando em consideração a surpresa da Mary ficou quando eu contei isso a ela, imagino que sou muito anormal. Será que só eu me incomodo tanto com aquela sensação de arrepios que a lixa de unhas causa? Pô, que mulherada resistente.
Um dia eu coloquei na cabeça que queria ter unhas pretas: cortei, lixei, tirei cutículas, tudo direitinho... E levei o esmalte preto pra manicure só pintar. Ela ficou me olhando como se eu fosse maluca, mas fazer o quê? Eu só queria pintar, ninguém mais faz isso? Humm, acho que não.
Bom, como o trabalho ficou uma porcaria mesmo, acho que vou aprender a pintar em casa, também. Então, pra evitar constrangimentos, acho que vou continuar sem ir em manicure alguma.
Escrito por Cy às 02h30
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