Cazuza - O Tempo Não Pára
Cazuza assusta. O artista, sua vida, sua música e seu mundo. Isso todo mundo já sabia. Mas Cazuza assusta também no filme.
Com uma fotografia absurdamente linda e uma trilha sonora apropriadíssima, o filme que estreou essa semana sobre a vida do cantor é um susto, um tapa, um gole de uísque forte e sem gelo. É redudância dizer como todos os atores foram ótimos, mas Daniel de Oliveira não interpretou simplesmente Cazuza - ele se transformou no próprio. De uma maneira tão brusca e delicada que confunde e convence. Assusta.
Andei lendo algumas opiniões. A maioria achou o filme ótimo (como eu), mas alguns sentiram falta da presença de pessoas importantes na vida do cantor, como a história com Ney Matogrosso e o nome de Bebel Gilberto, que esteve lá todo o tempo sem ser citada. E também que o filme foi muito corrido, tudo passa muito rápido. Também achei que a história estaria mais completa se incluisse e citasse mais personagens, mas me deixo levar pelas explicações da direção (procurem, não vou reproduzir aqui). Agora, quanto a ser muito rápido...
E não foi rápida, extremamente rápida a vida deste poeta? Acho que o filme nada mais fez que dar à sequência o ritmo do próprio Cazuza. Sim, fica-se com gostinho de quero mais. O mesmo gostinho que "Caju" deixou no Brasil. Então, sim, o filme é fiel. Fiel e emocionante.
O espectador vibra com Cazuza, se entorpece com ele, canta com ele... Perde o fôlego junto com ele quando descobre o vírus... Chora junto com a mãe Lucinha, procura forças com o cantor... Dá até pra sentir a nebulização no meio do último show.
Mas não acaba junto. Porque Cazuza não acaba. Nem com a aids, nem com o filme ou com alguma música. Cazuza fica. Rápido, brusco, delicado. Assustadoramente exagerado.
Algumas pessoas deveriam nascer imunes a qualquer mal, porque são genais demais para limitarem-se.
Escrito por Cyka às 21h01
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